79% das organizações adotaram regime home office e afirmam que foi possível manter o essencial

A pandemia afetou a rotina de todos nós e, com as organizações do terceiro setor não foi diferente. O questionário da segundo fase do Prêmio Melhores ONGs incluiu perguntas sobre o momento para as participantes e conseguiu, assim, avaliar os principais impactos do Covid-19 na rotina dessas organizações. No balanço geral, 188 das 315 entrevistadas que responderam a essa pergunta disseram acreditar que, apesar das dificuldades, vai ser possível manter o essencial sem grandes traumas. Só 8% disseram ser necessário fazer grandes cortes para continuar funcionando.

A pesquisa foi feita no mês de junho. Todas as ONGs selecionadas para a segunda fase da competição receberam o questionário e, das 323 que enviaram informações para esta etapa, 319 responderam às informações sobre como a pandemia afetou suas atividades.

“O que nos inspira a seguir adiante é saber que ainda há muito trabalho a ser feito, muitas vidas a serem transformadas e ficar de braços cruzados não é — e nunca foi — nossa postura ao encarar dificuldades. Fomos fundados para resolver um grande problema social, nascemos para isso”, relatou uma das ONGs participantes quando perguntada sobre o que a inspirava a seguir em frente nesse momento difícil. “Antes da pandemia um em cada quatro brasileiros já vivia em pobreza ou extrema pobreza. Por isso, estamos motivados e engajados a continuar oferecendo oportunidades para que, cada vez mais pessoas, possam quebrar o ciclo da pobreza e superar esse momento de pandemia”, disse o representante de outra.

Assim como nas outras áreas, a maioria das organizações do terceiro setor, 79%, adotou o regime home-office ou teletrabalho pelo menos em alguns períodos, para dar mais segurança aos funcionários. Menos de 1% relatou ter atividades totalmente presencial, onde não foi possível nenhum tipo de flexibilização do regime. Além disso, mais de 60% estão utilizando mais ferramentas digitais no dia a dia e tomando medidas específicas de combate ao Covid-19 na comunidade de atuação da organização e junto ao seus públicos-alvo.

Orçamento teve variações para mais e para menos
Uma das grandes preocupações foi com o orçamento e 36,5% das ONGs relataram que ele foi afetado, com diminuição entre 5 e 30%. Por outro lado, 21% das que responderam a essa pergunta disseram que a quantidade de dinheiro disponível aumentou, o que pode ter a ver com o aumento das doações, por pessoas sensibilizadas com o momento.

Quase metade das ONGs que participaram da pesquisa disseram ter participado de editais emergenciais de financiadores ou mudado o foco temporário de suas atividades, com ações específicas para combate e controle da doença em suas comunidades, por exemplo.

Mais de 30% relataram ainda que tiveram que adiar ou suspender alguns projetos, 23% tiveram que reduzir a equipe e 19% passaram por períodos em que foi necessário renegociar alguns salários. Por outro lado, 16% aumentaram seus projetos e atividades e 9% tiveram que contratar mais pessoas para realizar esses trabalhos.

Mais da metade das organizações teve casos de contágio
Pelo menos 60% das ONGs que responderam ao questionário relataram que têm vítimas da doença que se recuperaram em seu público-alvo e 40% teve funcionários que se contaminaram. Apenas 2% das ONGs tiveram casos de óbito entre funcionários e comunidade atendida.

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