Para membro do júri, um dos legados do Melhores ONGs é contribuir para mudar também as demandas sociais das organizações

Muitas empresas e organizações já reconhecem o valor da diversidade em suas equipes e essa tende a ser uma cobrança social cada vez mais evidente em todos os setores. Esse também é um dos fundamentos que norteia a decisão do Melhores ONGs 2020. O critério, uma das novidades deste ano, avalia como as organizações trabalham a diversidade em suas rotinas.

“Qualquer organização que queira promover uma transformação na sociedade, também precisa pensar em justiça social dentro de sua própria governança”, explica o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Mário Aquino Alves, um dos membros da banca avaliadora do prêmio. “Essa talvez seja uma das mudanças mais significativas de todas as que nós tivemos nos últimos anos, inclusive porque faz com que as organizações tenham que responder a partir de uma reflexão”, opina.

O pesquisador acredita que um dos legados da premiação é conseguir mudar não só a gestão, mas também a forma como as organizações se relacionam com a sociedade “Não apenas por meio de campanhas, mas também por ações concretas de transformação interna”, detalha. Assim, os doadores têm a tranquilidade de saber não só sobre questões relativas à transparência, mas também sobre as suas demandas sociais.

Critérios e competidores evoluíram
Mário Aquino Alves julga o prêmio desde a sua primeira edição, em 2017. Para ele, além de se consolidar como referência na área, o Melhores ONGs também aperfeiçoou sua forma de avaliar. “Houve uma curva de aprendizagem da equipe organizadora que encontrou formas mais objetivas de explicitar os critérios. Além disso, a pluralidade do quadro de jurados ajuda, faz com que cada um traga um olhar e uma perspectiva diferente”, ressalta.

A mesma evolução também pode ser notada entre as competidoras, que chegam mais maduras. Segundo o pesquisador, esse salto qualitativo pode ser visto nos documentos e relatórios e não está apenas relacionada às questões financeiras, mas também àquelas relativas ao funcionamento e a responsabilidade social. “Não se trata apenas mostrar o quanto uma organização gastou, mas também como está sendo gerida, olhando também para a sua governança, que precisa entender a diversidade da sociedade”, detalha. “É isso que a gente espera de um prêmio como esse”, completa.

Prêmio pode ser referência para outros países
Para o pesquisador, que também é membro do conselho da International Society for Third Sector Research (ISTR), uma associação de pesquisa internacional em terceiro setor, o Melhores ONGs é uma forma de reconhecimento que pode ser interessante também para servir de inspiração a outros países. “É um modelo muito peculiar ao Brasil, mas capaz de se tornar um benchmarking para outros, adaptadas às idiossincrasias de cada um”, observa. Ele lembra, no entanto, que cada local tem especificidades que vão de encontro aos seus marcos institucionais e à sua cultura de doação, gerando também práticas de gestão, captação de recursos, prestação de contas e demandas distintas.

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