Organizações que se dedicam à causa são menos de 1% e número entre as 100 melhores caiu pelo quarto ano consecutivo

O meio ambiente é um tema cada vez mais quente no Brasil. Em boa parte por causa do aumento nas taxas de desmatamento. Também por causa do agravamento das mudanças climáticas. E, por outro lado, pelas crescentes oportunidades de criação de negócios e soluções para energias limpas, transportes sustentáveis e mais uma infinidade de possibilidades. O mundo vive uma crise ambiental sem precedentes. Isso está na pauta geral. E o Brasil é um país especialmente relevante.

Diante da importância do tema no debate público e em nossas vidas, a impressão é que existem muitas organizações independentes trabalhando nessa área. Mas não é bem assim. O Brasil tem pelo menos 237 mil entidades sem fins lucrativos, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessas, as que se dedicam à causa são menos de 1% e número entre as 100 melhores caiu pelo quarto ano consecutivo. Em 2017, foram 12. Em 2018, 5. Em 2019, 4. Em 2020, apenas 3.

Entre os destaques da edição 2020 do Prêmio Melhores ONGs, apenas 7% das organizações declararam ter meio ambiente e sustentabilidade como uma de suas causas. Assistência social, criança e adolescente e saúde são as áreas com mais ONGs inscritas em todas as edições do prêmio.

Para o pesquisador Fernando Nogueira, que coordena a seleção das ONGs premiadas, é preocupante que a cada ano menos organizações ambientais concorram. “Isso pode indicar aumento de fragilidade do setor, por conta do desmonte das políticas ambientais e crise geral”, observa. “Apesar de acharmos que ONG é coisa de ambientalista, elas são poucas dentro do conjunto geral de organizações sem fins lucrativos, mas muito importantes pela relevância da causa”, completa.